Jesus transformou meu caráter...saiba mais...

segunda-feira, 15 de julho de 2013

MINHA HISTÓRIA 4º PARTE - FIRMANDO A CONSTRUÇÃO

Continuei bebendo e fumando escondido, continuei sonhando com uma vida melhor, mentia para minhas amigas, fingindo ter o que sonhava. Continuei vivendo num mundo interior hostil, a "maldita voz" começou a me mostrar as crianças que viviam ao meu redor e me fazia lembrar do que fizeram comigo, e de como foi bom, assim começou  a nascer o desejo de querer fazer com elas o que fizeram comigo.
A "maldita voz" me atormentava com esse pensamento de dia e de noite ao ponto de quando eu ficava sozinha com uma criança meu coração disparava, como se eu fosse explodir, tinha muito medo, e era tomada por um desejo maior que minhas forças queria tocá-las e sentir o que aprendi com a "maldita voz", não conseguia desviar meus pensamentos nenhum instante, e era encorajada o tempo inteiro para fazer  o  que tinham feito comigo, até que fiz a vontade da "maldita voz". Tornei-me uma criança abusadora assim como fui abusada. Isso me fazia triste, me fazia ter muita vergonha de mim e muito medo, me sentia perdida, sozinha.....
Roubava frutas dos vizinhos e dinheiro para comprar comida e realizar sonhos de criança...  Comer um biscoito recheado de morango, tomar um iogurte, roubava também nos mercados, chocolates, doces, frutas, roubava qualquer coisa que eu não tinha condições de comprar para comer.
Tinha uma senhora que era alcoólatra, vivia com uma filha que ela tinha adotado desde pequena, na casa dela tinha uma mesa enorme com várias imagens, eu gostava de ir  na casa dela porque ela pedia para eu ir comprar pinga para ela e me dava moedas como agradecimentos pelo favor. Sempre comprava a pinga no mesmo lugar, o dono da barraca tinha um jovem que o ajudava. Eu já tinha nove anos, já me sentia sensual, linda e queria exibir minha beleza, um domingo a tarde, me arrumei, com uma saia bem rodada, uma blusa apertada, meus cabelos longos e negros estavam partidos ao meio e presos, com dois longos cachos, parecendo uma criança... Sai de casa e fui direto para a casa dessa senhora, e sentei-me esperando que ela mandasse comprar sua pinga e pegar minhas  moedas para gastar com doces. Assim ela fez, sai correndo alegremente, ao chegar na barraca, o dono não estava, apenas o jovem, fiz o pedido de sempre, e ele ficou me olhando..., olhando e mordendo os lábios, fiquei assustada, e ele veio em minha direção fingiu que ia pegar o dinheiro, e segurou minha mão com força, e declarou o que ele ia fazer comigo. Mais um abusador!
Fique desesperada, queria gritar correr, ele tomou o dinheiro e disse, que se eu não fizesse o que ele queria, ele ia contar para minha mãe que eu estava com vários garotos tendo relações e que não devolveria o dinheiro, fique com muito medo e comecei a chorar, ele tirou a roupa e me obrigou a tocar nele assim o fiz, desesperada, pela primeira vez pedi ajuda a Deus. Olhei para traz em busca de socorro vi a filha da senhora alcoólatra do outro lado da rua e eu gritei o nome dela, pedindo ajuda, o jovem se recompôs, disse para a menina que não era nada, era eu que era medrosa e ele só estava me assustando, me deu a pinga e eu fui embora pensativa, não comentei nada com ela, mais uma vez perdida nos meus pensamentos confusos, a dor de mais um abuso, a vergonha de descobrirem e me punirem, porque afinal a culpa era minha, assim a "maldita voz" me dizia.
Levei dias pensando o que ele poderia ter feito comigo naquela barraca, só que toda dor e vergonha de ter sido abusada mais uma vez, foi substituído por pensamentos eróticos lançados pela "maldita voz", levava horas me deliciando naqueles pensamentos e desejando ter deixado ele abusar de mim, mas a verdade é que aqueles pensamentos e desejos não eram meus, porque quando eu ia lá comprar a pinga da senhora eu o via e morria de medo, a criança Aracele não queria aquilo mas a "maldita voz" empurrava a vontade dela para mim, e uma criança não sabe diferenciar seu pensamento de um pensamento do diabo, tudo que o diabo lança na mente ela pensa que é ela que está pensando e assim se culpa pelos mau pensamentos....  
Essa menina que me socorreu era uns 5 anos mais velha que eu, ela convidou eu e minhas amigas par ir na casa dela, éramos umas cinco nesse dia, todas com mesma faixa etária de idade de 8 a 11 anos, nos falou sobre algo que ela tinha aprendido a fazer com suas partes intimas e que era muito bom, ela deitou na cama e fez, morri de vergonha, afinal eu já tinha uma ideia, do que estava acontecendo, prestamos bem a atenção o que ela fazia, e em seguida fomos fazer a mesma coisa, as meninas que não conseguiam ela ensinava com detalhes, e ria muito, ela não parava de sorrir é como se nesse dia fosse o dia mais feliz da vida dela. Naquele dia a "maldita voz" não estava nos meus pensamentos estava incorporada naquela menina, e assim aprendemos a nos masturbar, desse dia em diante passou a ser a nossa brincadeira preferida, e passamos a nos reunir na casa dela para nos masturbar.
Ali começou a ação mais forte da "maldita voz", comecei a desejar minhas amigas como mulheres, e nos tocávamos, em seguida, começamos a convidar meninos, e permitimos que eles nos tocassem, tudo muito superficial, mas tudo muito feio para crianças de nove a onze anos, ali em meio a urgias infantil ficarmos horas e horas e assim fui crescendo..... Sendo explorada e tendo toda a minha pureza arrancada por um mal sem nunca imaginar naquela época, que por detrás de tanta podridão tinha legiões de demônios destruindo vidas preciosas.
Quando estávamos nessas práticas, era como se eu estivesse encontrado o caminho para executar a vontade  da "maldita voz" sem ser obrigada a nada, passei a me sentir livre para explorar os prazeres físicos sem ser agredida, assim a "maldita voz" conseguiu me enganar para concretizar os sonhos dela. Acabar com minha pureza e me conduzir ao mundo da prostituição.
Fazia questão de me comportar de uma maneira que ninguém suspeitasse, escondia com muita facilidade tudo aquilo que fazia e sentia, e achava isso o máximo, amava a sensação de ter tudo sob controle, todos nas minhas mãos, mesmo eu estando perdida em meus sentimentos e vazia, fazer o que eu queria mas sem levantar suspeita era o meu foco, alias o da “maldita voz”, me tornei uma criança astuta, e assustadora!
Enquanto dormia, um rapaz encostou em mim, eu abri os olhos e a “maldita voz” disse fique quietinha ai! E assim fiz, ele abusou de mim, e eu permaneci imóvel como se eu fosse uma estátua, ele foi embora e eu levantei da cama me sentido suja, envergonhada, perguntando por que as coisas tinham que ser assim?
Isso aconteceu várias vezes, até que um dia, em meio a pensamentos de continuar deixando ele abusar de mim e de me livrar daquela situação que me fazia me sentir aprisionada e a pessoa mais podre desse mundo, vi uma cena na novela que uma jovem tomou uma atitude contra o seu abusador, e ele à deixou em paz, encorajada por essa ficção, resolvi reagir esperei ele chegar e quando ele me viu sentada olhando para ele, se assustou, e ali despejei tudo o que pensava  e de quanto eu estava sofrendo com aquele abuso, e dei um basta naquela situação, ele me prometeu que nunca mais faria isso e cumpriu com sua promessa me deixou em paz. Nesse dia decidi que nunca mais deixaria ninguém abusar de mim.
Nesse dia a “maldita voz”, sabendo que eu estava realmente decidida a não mais ceder aos abusos, ela começo a trabalhar de outra forma meus traumas aumentaram depois dessa atitude, não conseguia mais olhar no rosto dele, me sentia descoberta, os pensamentos de culpa, vergonha e nojo, tomavam conta de mim, queria morrer, assim as pessoas ficariam com pena de mim, já não era mais criança (assim pensava eu), já tinha 10 anos, entendia o suficiente as coisas, já não aguentava mais essa vida, queria ser diferente, queria ser pura, queria apagar tudo de dentro de mim, e começar uma nova vida! Mas não podia a "maldita voz" dizia que não tinha jeito, que isso nunca sairia de dentro de mim.
Passei a ser mais assediada inclusive por homens adultos, a "maldita voz" começou a me fazer achar que eu tinha poder de controlar os homens e fazer o que eu quisesse com eles, me fez pensar que eu tinha tudo sob meu controle e eu poderia realizar meus prazeres sem ser agredida que tudo podia acontecer conforme a minha vontade. Passei a me sentir “rainha dos homens”....
Comecei a ser mais sensual, mais sozinha, tinha ódio da vida, me sentia podre, mas ao mesmo tempo queria ter prazer e sonhava com homens ao meu redor, os piores sonhos que uma criança de 10 anos podia ter,  era terrível, muito terrível.
Fui crescendo, meu corpo foi mudando, fui me tornando mais atrativa para os homens fui explorando mais ainda esse poder.... Fui me entregando a paixões... desejos, passei  a desejar a fazer sexo com o mundo!
Animais, crianças, mulheres, adultos o que eu queria era sentir prazer... Isso fazia me sentir muito mal... Lutava contra esses pensamentos o tempo todo, mas era mais fortes que eu, minha mente dizia não, mas todos os meus sentimentos e corpo dizia sim é como se você perdesse o controle de suas escolhas e se lançassem a um prazer que parece ser eterno, mas é rápido e mortal.
Hoje quando assisto uma reportagem sobre abusos, fico angustiada, porque sei o que o abusador está sentido e sei o que o abusado está sentido também, depois do ato, sei o quanto ele se sente um monstro sei que ele pensa que não deveria ter feito isso, sei que ele grita por ajuda, mas sei o quanto ele é fraco diante dos sentimentos, e sei que apenas Jesus pode transformar um coração assim, mas também sei quantos traumas o abusado vai desenvolver e de como ele se tornará desequilibrado emocionalmente se não tiver uma família que lhe ensine o caminho de Jesus.
A fome continuava reinando lá em casa ao ponto de minha mãe mandou  eu morar com meu pai, lá eu me tornei um tormento para a mulher dele, passei a me dedicar a fazer tudo aquilo que ela odiava, aprendi até a tocar uma melodia numa flauta doce só para atormenta-la, ela me odiava e com razão, resultado voltei para casa, mais uma vez, rejeitada, humilhada, vazia e triste.
Fui trabalhar numa casa de família que servia aos encostos, ela sempre oferecia caruru para Cosme e Damião, várias vezes parei atônita diante do meu patrão manifestado com um charuto na boca sentado à mesa, quando ele estava assim, ninguém podia chegar perto dele mas eu chegava, permanecia olhando para ele, indagando nos meus pensamentos aquela situação,  mas não conseguia ter medo, achava familiar. Num desses momentos, ele olhou para mim e mandou eu ir comprar uma carteira de cigarro, era noite e a rua estava deserta, tive muito medo nesse dia, sabia que algo de ruim ia acontecer, fui triste e sem querer ir, procurando  perigo o tempo todo,  a " maldita voz" falava o tempo todo que iam me pegar, eu não sabia quem, nem o que e nem quando isso ia acontecer, mas sabia que era naquela noite, de repente fui cercada por um grupo de garotos, eles falavam juntos ao mesmo tempo e eu não conseguia ouvir o que eles falavam, desesperada, procurava uma saída, sabia o que ia ser abusada mais uma vez... Em meio a tantos pensamentos e muito medo, vi uma brecha e sai por entre eles em direção ao apartamento, chorei muito,  porém,  não contei a ninguém mais uma vez. Sei que, naquele dia, Deus fez aqueles rapazes ficarem cegos, enquanto eu fugia eles nem se mexeram e nem correram atrás de mim, tenho certeza, poderia ter sido o pior dia da minha vida, assim como foi com a menina que deu origem ao meu nome Araceli, ela morreu e Deus me deu mais uma chance, naquele dia seria o meu fim, foi o dia marcado pela maldição que herdei quando minha mãe quis homenageá-la na sua inocência, mas fui livre pela misericórdia de Deus que tanto o diabo odeia.
Época em que minha mãe conheceu a IURD e começo a me levar, eu e os meus 2 irmãos. Lembro-me de uma reunião realizada pelo Pastor Rodrigues, ele chamava as pessoas lá na frente, e aquele chamado falava dentro de mim: - Venha aqui na frente... não fique ai no banco... Jesus está lhe chamando... venha aqui diante do altar... eu permaneci ouvindo aquela forte voz que falava dentro de mim, era como se o Pastor Rodrigues estivesse dentro de mim, e eu simplesmente, falei: - Eu não vou ai!... Eu vou dormir... me deitei no banco e adormeci...
Naquele dia todos os males que até então estavam amarrados por conta da falta de oportunidade que eu não tinha recebido de Deus, puderam atuar na minha vida, porque eu tinha feito a minha escolha, rejeitei Deus, abrir mão da oportunidade de sair daquela condição... assim, naquele dia me entreguei de corpo, alma e espírito as maldições que habitavam em minha vida....executei o plano final da “maldita voz”, influenciar a minha escolha para o destino da minha alma... toda a maldade que ela tinha feito comigo não era comparado ao que ela planejava para o meu futuro...
Continua.....

Aracele, quebrando o silêncio para  salvar os(as) perdido(as), na fé...
FALE COMIGO; aracellecunha@gmail.com

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